
A história do Lápis (12-01-1992/07-02-2017)
O Lápis foi um cavalo que nasceu na Companhia das Lezírias em Benavente, Samora Correia, no dia 12 de janeiro de 1992. Viveu grande parte da sua vida na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, onde viria a falecer no dia 7 de fevereiro de 2017.
A sua função era ser cavalo de escola e todos os anos letivos ter um aluno diferente para acompanhar.
O Lápis foi o cavalo que me foi atribuído pela escola no primeiro ano e foi um cavalo que me marcou imenso. A nossa relação foi especial desde início e quando o comecei a montar nem sabia o que era "montar" a cavalo, apenas sabia o que era "andar" a cavalo. O Lápis ensinou-me e ajudo-me em tudo e não só no que diz respeito à equitação. Sinto muitas saudades de quando chegava à boxe dele e ele se enroscava a mim como quem dizia "bom dia". Saudades da esperteza que ele tinha ao saber que eu tinha pão com chouriço na mochila e começava a brincar com ela para eu lhe dar um bocado.
Devido à sua idade já avançada (24 anos) e ao cansaço notório, as aulas, a partir de uma certa altura, começaram a ser complicadas. Assim, tive que começar a montar uma égua e ir intercalando entre um e outro. No ano seguinte, foi-me atribuído outro cavalo, já que o estado de saúde do Lápis infelizmente se agravou. Foi levado para o campo, onde eu e um grupo de amigas íamos todos os dias dar mimos e ração.
Lápis, tenho saudades tuas, de estares lá para mim sempre que precisei, por aguentares muitos "eu não consigo mais". Se continuo no curso e o vou acabar é por ti! Foste um ótimo professor, não duvides disso. Eu não poderia ter tido melhor. Este abrigo é em tua memória.
Maria Alice Silva

"O Lápis foi um cavalo que me foi entregue no primeiro ano do curso de TGE (Técnico de Gestão Equina) no Cabo (Vila Franca de Xira), depois do meu cavalo (Irish Coffee) se ter magoado. Com ele fiz a taça de Portugal de ensino nivel P aos 4 anos. Depois comecei por fazer provas de obstáculos de cavalos novos de 5 anos, onde "limpou" todas as provas de apuramento para o critério. Só depois comecei a fazer Concurso Completo de Equitação (CCE) com ele. De início o nosso entendimento não foi muito fácil, mas com o tempo fomos criando uma cumplicidade engraçada. Foi um grande professor. Com ele aprendi muito. Foram os momentos menos bons que nos ensinaram a passar os obstáculos e a crescer como binómio.
Obrigado Lápis por tudo o que me ensinaste."
Frederico Froufe Serra
"Falar do Lápis e do Lapso, é falar do Check-in de acesso à minha carreira profissional.
Foi no final do 1º ano de curso que tivemos a notícia da entrada de dois poldros para desbaste, provenientes da Coudelaria da Companhia das Lezírias, com três anos acabados de fazer e de pelagem lazã e ruço mosqueado.
Filhos de um cavalo anglo árabe de nome Peter Pan, os dois anglo-luso-árabes foram recebidos com muito entusiasmo pois os corcéis que montávamos eram de fraca figura e com mazelas até no psicológico.
Foram de imediato distribuídos pelos grupos de externos e internos, no sentido de serem desbastados como apoio à formação e aumentar e melhorar o efectivo cavalar da Escola.
Entre coices, quedas (e ainda rodeos no picadeiro fechado e corridas à carga nas estradas da lezíria…) o Lápis e o Lapso foram evoluindo como cavalos, a par da nossa evolução como cavaleiros e profissionais da área. Eram de carácter fácil, cómodos de montar, mas com bastante personalidade!
Ambos prestaram provas a nível nacional e internacional em diferentes modalidades e levaram às costas largas dezenas de alunos que, com a sua docilidade, transmitiam confiança a quem os montava nos mais diversos exercícios do decorrer das aulas.
Só no dia em que os “perdi” é que efectivamente reparei que, em silêncio foram meus companheiros duma vida, dia após dia, num percurso de formação escolar desde alguns anos antes do fim do século passado.
Aos que os conheceram, reconhecem naturalmente as minhas breves palavras. Aos que não tiveram esse privilégio, posso assegurar que cumpriram escrupulosamente a sua missão como cavalos, como formadores e como Companheiros…
O meu bem haja ao Lápis e ao Lapso, bem como à simpática e merecida Homenagem que a Maria lhes proporcionou.
Até Sempre!"
Raul da Luz
